Arquivos Mensais:fevereiro 2012
Frágeis ?
DE JOÃO BATISTA ATÉ NÓS
Sugiro a leitura de Mateus 11:1-19 antes do texto abaixo.
“Que saístes a ver?” Essa foi a pergunta de Jesus para aqueles que ouviram e ficaram escandalizados com a mensagem dos discípulos de João Batista. João estava preso e fragilizado, exposto ao medo da morte e à solidão do cárcere. Aquele mesmo “espírito” que há séculos havia oprimido Elias levando-o a pedir para morrer por não ser melhor do que aqueles que vieram antes dele (1 Rs. 19:4), agora estava contra João.
O profeta era movido agora por incertezas ao ouvir sobre a fama de seu primo, Jesus. Imagine você perto de Jesus ouvindo-o dizer palavras tão lindas sobre o reino de Deus e também vendo-o fazer milagres incríveis, quando de repente chegam alguns homens cabisbaixos e tomados por um peso mórbido, trazendo uma pergunta inquietante e desconfortável do seu mentor e pai no ministério. Certamente não estava fácil carregar o legado de João Batista naquele momento.
Aliás, com qual dos dois você gostaria de estar caminhando no ministério naquele momento? Com Jesus ou João Batista? Com João? Pouco provável.
Talvez, se o som do coração daquelas pessoas pudesse ser ouvido após a pergunta dos discípulos de João, se ouviria a afirmação indignada: “Que frágil é ele!”
João foi forjado sob o sol forte do deserto. Experimentou a solidão. O dia em que ele levantou o dedo para testificar de Jesus, alguns de seus discípulos o abandonaram e foram seguir Jesus (Jo. 1:35-37). Talvez essa seja uma das mais duras provas no ministério, a de ver alguém que você estima e espera que seja seu amigo ou parceiro deixá-lo para ir aprender com alguém que pode abençoá-lo mais que você. Aqui se dividem verdadeiros pais e ministros daqueles que não compreendem que a verdadeira honra nunca será nossa, mas Dele. João não se considerou digno de desatar as correias das sandálias do seu Senhor, mas muitos hoje acreditam que podem até mesmo calçá-las.
Thomas Watson (1620) disse: “João não pregava para agradar, e sim para abençoar. Ao invés de mostrar sua própria eloquência, ele preferiu revelar os pecados dos homens”. Assim tornou-se uma lâmpada que ardia no coração de sua geração. Solitário e resoluto, gastou-se até não poder mais por um único propósito: ser uma voz.
Mas no final de sua carreira, sem acumular bens nem reputação, ele põe o rosto entre as grades de sua cela e olhando para os olhos de seus discípulos expõe o coração. Talvez olhasse para o passado tão recente e ficasse tentando fazer contas para ver se valeu a pena tanto desgaste, tanta renúncia. Sua única herança e recompensa na terra era ver aquele que vinha após ele se levantar e manifestar aquele maravilhoso reino que tantas vezes ele viu em seu coração e em suas visões.
Não deve ser fácil morrer sem ver o fruto do seu trabalho, não é verdade?
E quando todos estavam indignados com as dúvidas de João, Jesus os indagou. Foi como se ele dissesse: “O que é que vocês esperavam ver? Depois de tudo o que ele passou, vocês queriam vê-lo se ostentando no final? Impossível!”
“Vocês olham e pensam que ele é um bambu que o vento pode quebrar facilmente. Mas não é! Ele é João, o meu João! Que teve coragem de sofrer antes que eu sofresse e fez isso por causa do meu reino.”
“Ele vai mostrar para ‘Jesabel’ que ela pode cortar uma cabeça, mas não calará a voz do que clama. João pode ser ‘dobrado’, mas nunca será quebrado!”
João não preparou o caminho do Senhor apenas com palavras ou com sinais maravilhosos, ele gastou sua vida.
Assim também, aqueles que carregam uma mensagem em seu coração são consumidos por ela, eles perderão a vida por ela. E não será a eloquência ou a força de vontade que os levará a um bom final, mas a resignação deles.
Podemos olhar para nós mesmos ou para aqueles que vemos caminhar e sonhar com o reino hoje e dizer: “Mas como eles são fracos!” Principalmente se forem comparados aos seus antepassados. Quantos leem as biografias dos heróis da fé e dizem para si mesmos: “Quem sou eu para seguir os passos dessa pessoa? Nunca conseguirei”.
Mas é muito importante olharmos para João o Batista, que carregou sobre si o espírito profético de Elias e abriu caminho para o Senhor naquele tempo. Ninguém pode dar testemunho de si mesmo considerando suas próprias fraquezas. É preciso esperar para que Ele testemunhe a respeito de nós. Mesmo que isso aconteça quando, como com João, estejamos em tremendas fraquezas e risco de morte.
Ainda que outros olhem e digam: “Aí vai um bambu sacudido pelo vento”, lembre-se de João. Sua voz não pode ser calada. Ele continua clamando nos dias de hoje através daqueles que nunca se dobram, até que Ele venha.
Adriel Barbosa | Projeto Macedônia
Diário de bordo: Caruaru – PE
Relatório do primeiro período em Caruaru:
Em 15 de agosto de 2010, partimos “de mala e cuia” de Valparaiso de Goiás – GO, rumo à Caruaru – PE. Sabíamos que seria um tempo novo de muito aprendizado, tempo este, necessário para o nosso crescimento espiritual. Isto era, basicamente, tudo o que sabíamos. Apesar de muitos considerarem essa decisão um grande passo (e realmente foi), para nós o sentimento era parecido com o da águia, “daquela” estória de renovação, sabe qual é?! Sentíamos que por mais que tudo parecesse incerto e doído, era algo que tínhamos que fazer em fé, obediência e sobre tudo, para nossa própria sobrevivência. Então, como egoístas que somos (risos), nos lançamos!!! Em busca de aprender, crescer, renascer e tudo mais que Deus quisesse fazer.
Nossa mudança foi enviada cerca de 20 dias antes de embarcarmos, durante esse período que ficamos sem nossas coisas, fomos acolhidos e suportados por nossos queridos familiares: Ana Paula, Marcelo e Davi.
Quando chegamos em Caruaru, os amigos Fabio e Marcela nos hospedaram por quase 30 dias, até encontrarmos nosso lar atual. Foram dias muito gostosos, pois o casal além de nos levar aos melhores lugares da cidade, onde degustávamos sempre da boa culinária nordestina, também nos acolheu muito confortavelmente, nos deixando sempre bem a vontade em sua residência. Sempre solícitos, também nos auxiliaram na procura de uma casa para morarmos, e graças ao auxílio do pr. Eraldo, conseguimos uma ótima casa, em um bairro também ótimo, o que eu só compreendi meses depois, pois a princípio, parecia apenas bom.
Tudo era novo e trazia estranhamento, foram assim nos primeiros 6 meses em Caruaru, vivemos muitos estranhamentos: Estranhamento da cultura, do sotaque, do local, da água, da estrutura da cidade, das pessoas, do trânsito, enfim, meses difíceis de meditação e oração, esperando que Deus nos mostrasse o que Ele queria de nós aqui. Confesso que nesses primeiros meses chegamos a pensar que tínhamos entendido algo errado, mas esse período nos trouxe muitas lições, sobre tudo para mim como esposa, aprendendo a confiar no trabalhar de Deus, confiar no tempo de Deus e em sua provisão, confiar também no que Ele estava e está fazendo em meu esposo. Estamos aprendendo a amar e a servir em amor, apesar das diferenças. Nossos amigos Rafa e Mari também foram muito importantes, nos auxiliando nesse primeiro momento de adaptação em Caruaru.
Foi em meio a essa busca que Deus nos deu, mais precisamente ao Mano, o entendimento de que a falta de “ferramentas” não devia ser empecilho para o que Deus estava colocando em nossos corações para fazermos, por exemplo: Podíamos dar aulas de informática e auxiliar nos cultos das congregações que estão se formando nas áreas rurais de Caruaru (apoiando o trabalho realizado pela Igreja de Deus no Brasil), contudo não tínhamos e ainda não temos carro ou moto, nem mesmo os computadores para as aulas. Foi quando Deus nos despertou para trabalharmos com as ferramentas disponíveis: Próximo a nossa casa tem uma praça, onde ficam ao final do dia, varias crianças, adolescentes, adultos e idosos. Em frente à praça têm alguns comércios, uma padaria e duas lan-houses. O Mano então percebeu que poderia utilizar a estrutura física da lan-house para realizar o projeto social das aulas de informática, não só levando a aprendizagem, como também, realizando uma aproximação com a comunidade procurando oportunidades de compartilhar valores do evangelho.
A princípio os donos da lan-house estranharam e até suspeitaram muito dessas “Aulas de Graça?” Mas aos poucos, conforme iniciaram as aulas, eles foram entendo o trabalho, conhecendo melhor ao Mano que conseguiu conquistar a confiança deles.
Paralelamente a esse trabalho, através do Projeto Macedônia, iniciamos o apoio à Missão Coração Nordestino (pr. Eraldo), eu auxiliando o ev. Fabio e sua esposa, na congregação da Igreja de Deus no Brasil, na vila Juá, área rural de Caruaru; e o Mano em outro projeto social de aulas de informática, em parceria também com a Igreja de Deus no Brasil (Pr. Jota e Irmã Nerêz), realizado no bairro José Carlos de Oliveira, aqui em Caruaru. Conhecemos também o pr. Sérvulo, sua esposa Luciana e o seu filho Gabriel, uma família que havia chegado de mudança em Caruaru um mês antes de nós, vindos de Biritiba Mirim – SP, enviados pela Igreja Presbiteriana da Graça. Foi um presente providencial de Deus conhecê-los, pois nós queríamos nos dedicar mais aos trabalhos sociais nas áreas empobrecidas da cidade e eles estavam justamente precisando de ajudantes na APG (Associação Presbiteriana da Graça), que realiza um trabalho de reforço escolar para crianças de 7 a 12 anos na comunidade do Cipó.
Bom agora que os caminhos estavam sinalizados, era arregaçar as mangas e trabalhar. Foi e tem sido como pensávamos: Uma grande aprendizagem! Pois mesmo estando com 5 pequenas turmas de informática, o tempo que o Mano levou para forma-las no primeiro módulo foi maior que o esperado, pois em todas as turmas ele encontrou problemas de aprendizado não previstos como dificuldade de leitura e interpretação de texto, sem falar na deficiência em realizar contas simples de multiplicação. O Mano como bom professor que é, não facilitou, cuidou para que todos os alunos aprendessem o primeiro módulo, mesmo que isso levasse mais tempo. Nas aulas de reforço escolar o que eu e Luciana encontramos não foi muito diferente, ficou comum encontrarmos crianças da 5° série que não conseguem interpretar um texto, o que aumenta o nosso desafio. Apesar das dificuldades, tudo tem sido muito gratificante, uma experiência incrível, não tem como não nos envolvermos com as crianças, não tem com não amá-las.
Quanto aos trabalhos no Juá, estamos felizes, pois Deus tem dado graça e tem nos abençoado com muitos irmãos para auxiliar nos evangelismos, nas visitas, nos cultos e as reuniões com as mulheres tem crescido cada vez mais.
Hoje compreendemos o quanto somos privilegiados (outro aprendizado aqui), pois para todos os trabalhos distantes que não teríamos como ir, os irmãos nos buscam e nos deixam na porta de casa (isso é um privilégio), nossa casa está a 15 minutos do centro, o que facilita muito os acessos (outro privilégio), nosso aluguel tem um valor diferenciado do padrão do mercado, (privilégio), hoje trabalhamos de forma freelance, com certa liberdade de dias e horários (privilégio), nossa! Acho que poderíamos listar vários privilégios que Deus tem nos proporcionado, somos GRATOS e CONSTRANGIDOS com tanto ZÊLO, CUIDADO, GRAÇA e AMOR não merecidos, dispensados pelo PAI a nós.
Terminamos o ano de 2011, com o sentimento de dever cumprido, mas conscientes de que é só o começo, agora em março de 2012 daremos continuidade a estes trabalhos, há também outros desafios surgindo, irei compartilha-los em uma próxima oportunidade.
Peço que orem para que nesse ano possamos receber de Deus uma estratégia para realizarmos um evangelismo de forma efetiva com os meninos e meninas dos projetos sociais; pelas mães e crianças na Vila Cipó; pelas congregações implantadas nas áreas rurais, sobre tudo, pelos irmãos e irmãs do Juá; pela igreja no bairro José Carlos de Oliveira; pelos pr. Sérvulo, sua esposa Luciana e seu filho Gabriel; pelo ev. Fabio e sua esposa Marcela; pelo Projeto Macedônia seus missionários parceiros e também por nós, para que estejamos atentos ao que Deus deseja de nós, e que possamos a cada dia caminhar em obediência (com alegria), submissão (com fé) e amor (sincero).
Espero ter passado para vocês um pouco do nosso primeiro período aqui, espero no próximo compartilhar com vocês outras tantas bênçãos e aprendizados dessa nossa temporada e caminhada em Caruaru.
Somos gratos a Deus pelas privações, provisões e privilégios por tantas bênçãos que nem sei contar.
Nós te agradecemos Senhor
Lívia da Silva | Projeto Macedônia







